Existem
muitas pessoas que padecem de sudorese excessiva nas axilas, palmas das mãos
e planta dos pés que nada tem a ver com o suor provocado pelo calor
nestas regiões. A hiperidrose axilar cientificamente chamada, tem suas
causas nos fatores emocionais que se traduzem por uma reação
excessivamente abundante das glândulas écrinas, interferindo
nas atividades sociais e profissionais do indivíduo.
Até alguns anos atrás o tratamento clínico era feito
COM A ADMINISTRAÇÃO de drogas anti-colinégicas (inibidoras
do sistema nervoso simpático) e que na maioria dos casos se mostra
ineficiente e sem valor terapêutico.
A hiperidrose axilar severa é uma entidade incomum mas não uma
desordem rara. Sua incidência nunca foi estudada estatisticamente mas
está claro que muitos indivíduos toleram sua condição
sem procurar ajuda de um médico especialista.
Ela atinge ambos os sexos, sem haver diferenças raciais: brancos, negros
e também os orientais padecem com o problema. Seu aparecimento é
sempre 2 ou 3 anos após a puberdade, nunca nas crianças em fase
pré-puberal, embora a sudorese na palma das mãos não
é incomum nesta idade.
É provável que a atividade destas glândulas sofra redução
com o passar dos anos, mas isto nunca foi documentado. O suor aquoso, quase
sem cheiro, é intermitente na maioria das vezes em resposta aos estímulos
emocionais, embora em alguns é muito abundante e quase constante. Interessante
observar que não existem variações sazonais; a severidade
dos sintomas é maior nos homens que nas mulheres, embora estas últimas
parecem ser afetadas com mais frequência ou pelo menos as que mais procuram
o profissional para ajuda.
Cerca de 75% dos pacientes têm história familiar de hiperidrose
axilar sugerindo um fator genético na patogenese de desordem. O suor
nos casos da grande maioria não tem bromidrose ( cheiro forte do suor
comum) e que pode ser facilmente eliminado com os desodorantes comuns; a explicação
para a ausência de forte odor nestes pacientes é que a sudorese
das glândulas écrinas, como que lava as secreções
produzidas pelas glândulas apócrinas que são as responsáveis
pelo cheiro forte de suor.
Tratamento
Cirúrgico
Várias foram as técnicas utilizadas no passado, desde os mais
complicados como simpatectomia cérvico-toráxica até lipoaspiração
da região axilar (alguns cirurgiões ainda a preferem) mas fica
difícil a aceitação pelos pacientes de técnicas
complicadas, de difícil execução e com desvantagens para
os mesmos como o aumento da sudorese pelo calor, principalmente no tórax.
Como tudo em medicina os métodos mais simples ensejam os melhores resultados,
baseados na experiência e no bom senso dos médicos.
Dentre as técnicas que favorecem os melhores resultados existe uma
descrita há alguns anos pelo Dr. Walter Shelley da Califórnia
e que tem como princípio a eliminação cirúrgica
da quase totalidade das glândulas écrinas da axila previamente
demarcadas por um teste.
O paciente antes da cirurgia tem as suas axilas pintadas com tintura de Iodo
a 3% e sob um estímulo doloroso (por exemplo uma picada de agulha no
braço) desenvolve a secreção das glândulas afetadas
que com a pulverização de talco na região desenvolve
manchas azuladas correspondentes a localização de maior concentração
glandular; demarca-se a retirada de uma elipse de pele compreendendo as zonas
azuis de 2 cm por 5 cm de comprimento no eixo axilar longitudinal; nas laterais
da incisão por dentro da pele pode se ainda retirar outra grande quantidade
de glândulas aumentadas. As cicatrizes são inaparentes e sem
retrações.
Ultimamente, tem se empregado bastante a toxina Botulínica (botox)
para tratamento da hiperidrose das mãos; segundo relato dos colegas
que a utilizam os resultados são animadores, com o único inconveniente
de a sua ação perdurar de 4 a 6 meses, obrigando a aplicações
periódicas.
Conclusão
A hiperidrose axilar é uma geneticamente controlada
hiperatividade das glândulas sudoríparas da axila em resposta
a um estímulo emocional. A sudorese concomitante das palmas das mãos
normalmente acompanha o quadro mas não obrigatoriamente; o odor sudorífero
é bem pequeno em comparação a sudorese pelo odor. O tratamento
cirúrgico é o mais recomendado para aliviar o sofrimento experimentado
pelas pessoas que padecem desse distúrbio.