Cirurgia Plástica nas Orelhas

Cientificamente chamada de otoplastia, a cirurgia plástica nas orelhas procura corrigir as orelhas projetadas para frente, excessivamente separadas do crânio, as orelhas de abano ou em abano.

As causas desta mal formação não são conhecidas, mas, sem dúvida, o componente genético está presente na maioria dos casos.

As crianças são mais sujeitas a distúrbios psicológicos advindos de brincadeiras e gozações por parte das outras crianças, sendo esta a razão por que temos preferido corrigir o problema entre os 4 e 6 anos de idade; a este tempo, o crescimento das orelhas está quase completo e antecede a entrada das crianças nas escolas. Nos mais velhos que já atingiram a idade adulta as orelhas abanadas raramente constituem problema, visto que nesta fase já se adaptaram a situação ou aprenderam a disfarçar com o penteado.

A importância da proeminência das orelhas não está no fato de que ela representa uma pequena parada no desenvolvimento embrionário final das convoluções (curvas), mas sim no fato de que a cultura ocidental impõe um estigma à sua presença, o que não acontece em outras áreas como o Japão, por exemplo, onde orelhas abanadas são sinal de boa sorte.

A indicação cirúrgica é somente visando corrigir o afastamento do pavilhão auricular da cabeça, pois as orelhas grandes, infelizmente, não têm como ser operadas pois a cirurgia poderia acarretar alterações de forma, que são mais graves que o tamanho delas.

Várias técnicas foram descritas desde o inicio do século passado, visando devolver as curvas normais da cartilagem apagadas, ou correção da concha (porção central) excessiva, mas a mais simples e atual é a técnica escocesa em que através da retirada de um fuso de pele na face posterior da cartilagem, abre-se caminho para os pontos na estrutura, procurando dobrá-la ao natural. Nos casos em que o relevo da cartilagem é normal, apenas a concha está aumentada, a cirurgia procura através da sutura fixá-la ao crânio.

Correção inadequada é talvez o mais comum resultado não esperado da otoplastia: é, no entanto, na maioria das vezes mais evidente para o cirurgião que ao paciente e bastante raro encontrar-se estes insatisfeitos com a plástica.
O curativo é importante nos 2 primeiros dias da cirurgia, uma bandagem do tipo "turbante", e, após, é aconselhado ao paciente usar algum tipo de proteção durante 30 dias, sendo durante o dia uma faixa de tenista e a noite uma touca de tecido.

Existem outros tipos de cirurgia plástica nas orelhas como a:

Microtia - orelhas atrofiadas, uma malformação congênita na qual o pavilhão da orelha fica reduzido a pequenas porções de pele e cartilagem e, as vezes, até sem o conduto auditivo externo. A solução do problema está na reconstrução de orelha exigindo enxertos de cartilagem e pele, ou mesmo o emprego de próteses de silicone pré-moldadas, muito engenhosas.

Para aqueles que não querem se submeter aos vários tempos cirúrgicos que uma reparação destas exige, já existem próteses externas disponíveis que são fixadas por pinos de titanium na região auricular.

Com o passar dos anos, há uma tendência de queda ou descida do lóbulo da orelha (a porção mais inferior e sem cartilagem) e que atinge as pessoas idosas, ou aqueles que fazem uso exagerado de brincos muito pesados. Sua correção é simples e rápida.

O lóbulo da orelha rasgado é provocado também pelo uso excessivo de brincos pesados e por traumas provocados, involuntariamente ou não, quando o brinco é puxado forte e inadvertidamente, como por exemplo em assaltos bruscos, em que o ladrão puxa o brinco de forma agressiva ocasionando trauma, ferimento e deformidade.

Falta falar da anestesia na cirurgia que, na minha experiência, tem sido melhor a anestesia geral nas crianças menores, por ser de difícil execução cirúrgica com outra anestesia; nos casos dos adultos uma anestesia local com sedação é a preferida.

Conclusão

A cirurgia plástica das orelhas teve um grande avanço nos últimos anos, tanto a cirurgia reparadora como a estética e isto se deve a pesquisa por parte de um cirurgião plástico americano (R. Tauzer) com quem tive o privilégio de trabalhar nos idos de 1970.

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