Cirurgia Plástica Reparadora e Cirurgia Estética

A Cirurgia Plástica no âmbito geral compreende ramos diversos da especialidade e que podem ser agrupados em dois grandes grupos: a cirurgia plástica reparadora é aquela realizada em estruturas alteradas do corpo humano como aquelas com defeitos congênitos ou adquiridos, queimaduras, tumores e que buscam uma melhora da aparência e da função - disto se depreende que sua atuação é sempre em um campo anormal para se atingir a normalidade.

Ao contrário a cirurgia estética até algum tempo considerada cirurgia fútil, de embelezamento, é realizada em estruturas normais com a finalidade de modificar traços fisionômicos que desagradam os pacientes e muitas vezes motivos de complexos carregados desde a infância.

Esta visão simplista que tem origens no próprio psiquismo individual das pessoas, tem catalogado este importante ramo da cirurgia plástica dentro das atividades cirúrgicas de pequeno interesse e que poderiam ser postergadas; aqueles profissionais que labutam no difícil mister de mudar um perfil grotesco, ou apagar as marcas do envelhecimento em pessoas precocemente desgastadas pelo tempo, passam a fazer elucubrações mentais comparativas, se é mais importante remover um defeito estético ou curar a mesma de uma úlcera duodenal.

No campo jurídico, os juizes já firmaram jurisprudência condenando os casos disciplinares simplesmente por ser a queixa de cirurgia estética e complacentes com os de cirurgia reparadora; muitas das queixas pós-operatórias são destituídas de fundamento, simplesmente por que o resultado não foi o esperado, ficando aquém das expectativas, rotulando a cirurgia como cirurgia de fim e não de meio, o que é incompreensível tratando-se de cirurgiões competentes e que utilizam técnicas consagradas mundialmente.

Os convênios médicos não autorizam a execução de cirurgias com finalidades estéticas nos seus associados e glosam esta atividade que em alguns casos são de necessidade absoluta para uma melhor qualidade de vida como no caso das pessoas com mamas hipertróficas em que o peso das mesmas podem acarretar problemas de coluna.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica através de sua Diretoria tem se dedicado com afinco a este assunto na tentativa de mudar estes conceitos já arraigados nos nossos convênios tentando a abertura de um novo caminho que possibilite as pessoas de usufruírem os benefícios de tão importante cirurgia em suas vidas.

Benjamin Disraeli, o notável político britânico dizia que a feiura é uma doença odiosa e o cirurgião plástico tem o poder de com as suas mãos transformar em ouro o metal nem sempre nobre, com que são forjados muitos de nossos semelhantes.

voltar