Muitos casos
de pessoas acostumadas a bebida e com predisposição hereditária
podem desenvolver em alguns anos uma doença antiestética do
nariz cientificamente denominada Rinofima; ela causa distorção
grosseira da pele e do tecido subcutâneo, inflamação crônica,
exudação e infecção.
Suas protuberâncias grotescas, dolorosas, distorcem a imagem do paciente.
Contrariamente a crença popular não é uma doença
das pessoas de meia idade, de homens alcoólatras pois também
pode ocorrer em jovens e abstêmios de ambos os sexos.
Rinofima é uma doença antiestética, mas seu tratamento
deve ser fundamentalmente estético.
Outro fator quase sempre presente nos casos tratados é a concomitância
com um tipo de acne que é a acne rosácea.
As alterações de pele nasal iniciam com engurgitamento e dilatação
dos vasos capilares da pele seguidas de hipertrofia (aumento) das cartilagens,
estruturas musculares e glandulares; estas modificações histológicas
acabam por bloquear os dutos de abertura das glândulas sebáceas
e daí o aparecimento de grandes cistos sebáceos de retenção.
As barreiras emocionais associadas com o progressivo desfiguramento e suas
implicações sociais tem sido bem reconhecidas e relatadas na
literatura científica.
Matton e colaboradores (1962) publicaram um trabalho de pesquisa com 60 portadores
da lesão: 10 eram mulheres e 50 homens; 14 destes pacientes tinham
avós ou pais com o mesmo problema; metade dos casos tinham história
de alcoolismo; 2 casos tinham relação específica com
o uso prolongado de corticóides para o seu aparecimento; dos casos
com história de alcoolismo todos eram com bebedores de vinho e cognac
e nenhum no entanto com os apreciadores de whisky ou cerveja.
Várias técnicas são empregadas na remoção
cirúrgica do Rinofima como excisão, decorticação,
eletrocoagulação, lazer mas a que tem mostrado os melhores resultados
é a que se denomina "shaving" que se traduz por retirada
em camadas com o bisturi, uma verdadeira escultura da pele nasal e que deixa
a área cruenta repitelizar por 2ª intenção sem a
colocação de enxertos de pele; em muitos casos há necessidade
de pequenos retoques posteriores de pequenas protuberâncias que não
foram eliminadas na 1ª cirurgia.
Conclusão - o Rinofima é uma doença de pele nasal com
profundas perturbações psicológicas e sociais na vida
dos portadores e que tem na atualidade soluções simples e sem
riscos possibilitando aos mesmos uma perfeita reintegração social
livres de seus complexos desfigurantes.