A
relação médico paciente é única em cirurgia
cosmética e difere grandemente daquelas em outras especialidades cirúrgicas.
É mais parecida com as que envolvem os psiquiatras e seus pacientes,
particularmente na qual uma forte transferência é na maioria
das vezes estabelecida. O paciente de cirurgia estética espera e anseia
que o cirurgião possa ser a mola mestre em fornecer os meios para o
sucesso em recapturar a juventude perdida, ganhar novas oportunidades de trabalho,
ou reciclar sua vida amorosa. Estas atitudes são na verdade irreais,
contudo existem particularmente nos pacientes emocionalmente dependentes.
O paciente pode na verdade transferir ao cirurgião a responsabilidade
na pavimentação do caminho ao sucesso e a felicidade.
Quando este sonho não se realiza o desapontamento é então
logicamente imputado como falha do cirurgião; ele é culpado
aos olhos do paciente por sua inabilidade em ser um fabricante de milagres.
Considerando-se a média das pessoas e não os psicóticos
ou aqueles no limite da psicose, ainda não está totalmente esclarecido
porque muitos pacientes experimentam um período de depressão
logo após a cirurgia que aparentemente teve um sucesso altamente positivo.
A não ser que esta depressão seja indevida e sem razão,
ela pode normalmente ser conduzida pelo cirurgião no dia a dia com
bastante tato, compreensão e discussão; o cirurgião fica
inconformado, com seu ego ferido, com o grau de hostilidade do paciente diante
de tão excelente resultado. Entendendo que este sentimento por parte
dos pacientes principalmente os de meia idade fazem parte do processo e que
usualmente passam com o tempo, paciência e compreensão ajudarão
o cirurgião a melhorar este estado de animosidade.
Embora o que dissemos é verdadeiro, o cirurgião plástico
não deverá em certas ocasiões deixar de ser firme e autoritário
com seus pacientes se estes se mostrarem agressivos e descontrolados na sala
de espera com outros pacientes, com a equipe de auxiliares e enfermeiras;
se a comunicação em alto nível por persuasão não
for alcançada o cirurgião tem todo o direito de adotar uma atitude
mais enérgica.
Os pacientes que se mostram felizes e satisfeitos com o resultado são
usualmente pessoas com altoastral e prontos a olhar a vida pelo lado positivo
de qualquer ângulo. Tais pacientes são normalmente extrovertidos
que vêem os pequenos problemas de vida cotidiana sem dificuldades. Mesmo
que seus sentimentos íntimos tenham sido de qualquer modo desapontadores,
são cuidadosos em não demonstra-los.
As causas mais comuns de desapontamentos com as cirurgias de rejuvenescimento
são a recorrência do chamado queixo duplo e o insucesso na sua
eliminação ao tempo da cirurgia inicial.