O Tratamento da Calvície Masculina

Problema que afeta três de cada cinco homens durante sua existência tem as suas causas ligadas a hereditariedade e a produção de androgenos (DHT) que é a testosterona transformada no couro cabeludo sob ação de uma enzima a 5 alfa redutase; isto explica porque o problema começa se manifestar após a puberdade época em que os hormônios masculinos passam a ser produzidos em grande quantidade pelo organismo.

Desde a época de César, o imperador romano, se tem notícias da procura por um tratamento clínico local para a solução do problema.

Na década de 50, Norman Orentreich um dermatologista americano descreveu uma técnica original para amenizar os aspectos estéticos das pessoas que padeciam do problema, transferindo pequenos círculos do couro cabeludo retirados da região da nuca e transplantados para a área calva; esta técnica teve como alicerce principal a observação clínica de que os cabelos naquela área são perenes e quando mobilizados para a área calva, mantinham esta propriedade de continuar crescendo por toda a vida.

A grande critica que se fazia aos resultados da época era que os novos cabelos se pareciam aos cabelos de uma boneca.

Na década de 70, um cirurgião plástico argentino publicou uma nova técnica - rotação de retalhos - em que uma extensa faixa do couro cabeludo da região lateral era rodada para a porção frontal, com isso restabelecendo toda a área pilosa numa faixa de 4 cm/s; se o problema era mais extenso ele propunha que se rodasse até três retalhos para a cobertura total da região desprovida de cabelos.
Juri ainda continua utilizando sua técnica na sua bem montada clínica em Buenos Aires.

Na década de 80 descrevi pela primeira vez uma inovadora técnica que ficou popularmente conhecida como técnica "fio a fio" com uma revolução tática de tudo que se fazia no passado, devido a retirada dos cabelos na área doadora, que passou a ser feita pela colheita de uma faixa do couro cabeludo na região occipital e desta tira se extraem os enxertos contendo de três a cinco fios (foliculos) e que são implantados na região calva com pequenas incisões através de minúsculos bisturis.

Com a evolução da técnica começamos a separar as raízes com o auxilio de um microscópio potente (30x) o que tornou a cirurgia mais minuciosa e com perda praticamente zero dos foliculos (raízes).
A inserção dos enxertos também sofreu grandes mudanças utilizando-se hoje agulhas especiais ou o lazer (dependendo do caso) o que também veio a contribuir para a melhoria dos resultados, eliminando o estigma do passado que denotava a distancia o procedimento cirúrgico.

Não existe idade limite para a cirurgia, desde que o paciente esteja em boas condições de saúde e a permanência dos cabelos na área posterior esteja conservada.

Nos casos em que a calvície tenha atingido um grau bem avançado(grau V) não se pode corrigir a mesma em uma única sessão de transplante, dividindo-se o processo em duas ou três vezes com o espaço de oito meses entre uma e outra.
Quanto ao tratamento clínico (sem cirurgia) a estrela internacional dos medicamentos é a Finasteride um bloqueador de 5 alfa redutase inicialmente usado para tratar problemas da próstata no homem e que impede a transformação da testosterona em Di hidrotestosterona no couro cabeludo.
Na nossa experiência não existem medicamentos ou loções para uso local que façam crescer novos cabelos.

A Finasteride tem uma poderosa ação anti-queda dos cabelos que ainda permanecem no topo da cabeça.

Por este motivo temos associado no trato da calvície a cirurgia com a administração medicamentosa mas que tem que ser tomada por toda a vida.

É por demais relevante enfatizar observando-se os dados publicados pela Sociedade Americana de cirurgia estética, o grande aumento dos americanos que buscam o auxilio de um medico para se submeter a cirurgia da calvície: no ano de 1998 o numero de cirurgias nos Estados Unidos alcançou a impressionante cifra de 89.000 cirurgias o que elevou esta modalidade cirúrgica ao 2º lugar no ranking das cirurgias plásticas, só perdendo para as lipoaspirações.

No Brasil ela esta em 4º lugar e nós atribuímos isto ao pequeno numero de médicos que se dedicam ao tema que para muitos é um procedimento tedioso e que exige uma grande experiência no assunto.

O grande incremento no numero de cirurgias é atribuído principalmente a melhoria da técnica com resultados cada vez mais naturais e sem nenhuma morbidade.


Dr. Munir Curi

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