Porque
a maioria das cirurgias plásticas são eletivas isto é
sem urgência premente, os vários fatores que podem interferir
na mudança de aparência são resolvidos antes que o resultado
psicológico seja alcançado.
A sociedade em que vive uma pessoa exerce influências inevitáveis
e atitudes preocupantes com a deformidade e que variam com os diferentes grupos;
por exemplo crianças com deformidades sacrificadas à morte ou
deixadas morrer em muitas sociedades antigas. Em contraste mesmo em culturas
primitivas, algumas formas de deformidade tem sido consideradas insignificantes
alterações da configuração corporal a menos que
o defeito interfira na vida da pessoa ou em sua habilidade para conviver em
sociedade como um todo.
Muitos grupos tem produzido deformidade que podem ser classificadas como mutilação
em outra sociedade como as remodelagens dos pés pelos chineses antigos,
a tatuagem pelos habitantes das ilhas do Pacífico, vários ritos
de iniciação envolvendo a remoção dos dentes da
frente e até mutilação dos genitais como os índios
da Austrália; em nossa sociedade não há receios em se
provocar pequenas deformidades como furar as orelhas para colocação
de brincos.
Muitas organizações proíbem seus empregados de ostentarem
tatuagens e a remoção destas marcas muitas vezes é exigida.
Em geral quando um membro de um grupo está dentro dos padrões
as pressões sociais não existem, mas se a configuração
corporal diferir daquilo que é considerado normal ele terá serias
limitações em suas atividades dentro da sociedade.
Muitas pessoas com grandes defeitos de aparência tem levado suas vidas
com grande sucesso e com mínimos conflitos emocionais enquanto que
outras com pequenas deformidades levantam impenetráveis barreiras psicológicas
que as mantém distantes de atingir suas totais potencialidades.
Os candidatos a cirurgia estética e que se apresentam ao cirurgião
plástico para uma consulta prévia podem ser catalogadas em 3
grupos:
1- Pacientes com personalidade normal e com deformidades reais cuja correção
dos pequenos defeitos produzam bom resultado e excelente resultado psicológico.
2- Pacientes neuróticos com deformidades maiores ou menores e que podem
ser melhoradas com tratamento cirúrgico. Contudo como estas pessoas
colocam todos seus problemas pessoais na correção da deformidade
por menor que seja, a colaboração do analista em conjunto com
o cirurgião plástico é imprescindível.
3- Pacientes com deformidades imaginárias que buscam a correção
de algo que não existe, a desilusão vai ocorrer com certeza.
Uma decisão de operar este tipo de paciente pode resultar em tentativa
de suicídio ou mesmo agressão direta contra o cirurgião.
O paciente entretanto não deverá sair do consultório
sem esperanças e deverá ser tratado cuidadosamente porque muitas
vezes uma recusa cirúrgica pode destruir todas as esperanças
de uma existência normal.
Pacientes psicóticos com deformidades imaginárias com preocupações sobre defeitos imaginários não respondem bem à cirurgia estética.