Dentro
da cirurgia plástica existe uma porcentagem pequena de casos que necessitam
de um retoque, uma nova cirurgia para melhores resultados, ou mesmo para se
atingir a expectativa do paciente que no seu entender ficou aquem do esperado.
Imaginando-se um lago com muitas ondas, se nos aproximarmos de sua margem
e com pequenas pancadas na água procurarmos acalma-lo provocaremos
mais turbulência, também é o caso do assassino que para
encobrir o primeiro crime, comete um novo assassinato para ocultar o primeiro.
Esta analogia assemelha-se com a que ocorre na cirurgia plástica na
eventualidade de alguma complicação ou resultados adversos,
em que o cirurgião afoitamente procura reintervir, sem dar o tempo
necessário para que as coisas se acalmem, os tecidos sofrem um processo
de maturação (no mínimo de seis meses) e a reoperação
seja um sucesso.
Tomemos como exemplo a cirurgia plástica de nariz:
Na grande maioria das vezes o paciente insatisfeito procura outro cirurgião
com a alegação de "Ter perdido a confiança"
no primeiro.
Embora na consulta para uma rinoplastia eu hesite em abrir a caixa proverbial
de coisas arrancadas e force com todas suas complexidades e seu cargo de noções
convencionais, são frágeis as relações provisórias
e o médico-legal.
Muito do que vamos dizer aqui aplica-se também as revisões do
próprio cirurgião (e nós também as temos) mas
a maioria ao resultado desfavorece de outros.
O cirurgião que se encarrega de contornar o problema cirúrgico
(rinoplastia secundária) depara-se com a seguinte situação,
pacientes sempre insatisfeitos, frequentemente aborrecidos e agressivos e
muitas vezes desesperados.
Problemas desencadeados pela sua cirurgia na sua vida pessoal, profissional
e em seus recursos financeiros; certamente causas que produzem profundo ressentimento.
Pacientes de rinoplastia secundária estão desapontados. Paradoxalmente,
entretanto, com grandes esperanças de melhora. Do outro lado da situação
o cirurgião nº 1 fica sempre na defensiva, frequentemente negando
o problema e muitas vezes embaraçados com as chamas da inquisição
aos seus pés.
Temos que ser honestos com o paciente mas a verdade não é simples:
não podemos negar o que estamos vendo: cicatriz contrátil da
asa, retirada em excesso na perfuração do sépto. Não
importa discutir as causas do problema atual, mas sim os recursos que podem
ser utilizados para melhorar o aspecto.
Com isso em mente deve-se enfatizar que a cirurgia plástica do nariz
é um procedimento tecnicamente difícil de resultado imprevisível,
com várias técnicas diferentes e consagradas e a certeza de
que o cirurgião empregou os seus melhores esforços.
Toda cirurgia de nariz pela 2ª vez compreendida requer uma série
de limitações, uma busca de um melhor resultado e a necessidade
de técnicas reconstrutivas mais complexas e mais custosas.
O paciente deve entender que não é uma continuação
da primeira operação (fase dois), ao invés uma tentativa
de melhorar os problemas agora existentes, por isso o resultado deve ser julgado
não na condição anterior à cirurgia mas sim na
condição presente.