Reportagem

Calvície Feminina - 01/09/1999

Adeus, turbante.
Mulheres que sofrem de calvície apelam cada vez mais para os transplantes.

Rachel Campello

Quem pensa que calvície é flagelo só de homens engana-se. Mulheres também sofrem - e como sofrem - de queda de cabelo pronunciada, daquelas que deixam clarões na cabeça e um enorme rombo na vaidade. No Brasil, calcula-se que o problema afete 2 milhões de mulheres, geralmente na época da menopausa, quase sempre por causas hormonais ou hereditárias. Pouquíssimas, não mais que 2.000 por ano, buscam tratamento, mas, entre estas, o transplante cada vez mais substitui apliques, perucas e lenços. Graças ao avanço das técnicas e ao aumento do número de cirurgiões capacitados, 80% das mulheres que sofrem de queda de cabelo acentuada e recorrem a um médico são encaminhadas para transplantes, com ótimos resultados - pois, ao contrário dos homens, não padecem das entradas na linha da testa. "Como a calvície feminina ocorre principalmente no alto da cabeça, o cabelo aplicado se mistura ao natural e o resultado final é muito bom", explica o cirurgião plástico Carlos Eduardo Guimarães Leão, de Belo Horizonte, que faz transplantes há mais de dez anos.

Nem sempre a queda de cabelo espera a menopausa para se manifestar. A comerciante Ilham Harati, 52 anos, tinha 36 quando percebeu que estava ficando calva. "Eu passava a mão e caíam chumaços", lembra. O diagnóstico de distúrbio da tireóide, com alterações hormonais, agravou-se ainda mais com a morte do marido, quatro anos depois. Só em 1997, com o aperfeiçoamento das técnicas de transplante, ela finalmente cedeu à prática. "Mas agora nem tinjo, para não correr o risco de sofrer mais por causa disso", diz. A satisfação da paciente, evidentemente, depende muito da expectativa. "Se a mulher espera ter a cabeça repleta de cabelos, como aos 20 anos, nem recomendo a cirurgia", avisa o cirurgião plástico paulista Munir Curi.

Careca e linda - Transplante de cabelo é uma intervenção delicada, mas sem grandes complicações, que demora cerca de quatro horas, leva anestesia local, pode ser feita no consultório e custa em média 5.000 reais. O sucesso da cirurgia está diretamente ligado ao volume na chamada "área doadora", a faixa de cabelo próxima à região da nuca. De lá se tiram os fios que, depois de separados e preparados, são "plantados" um a um na área calva (veja quadro). "A calvície na mulher diminui a densidade como um todo. A cirurgia cobre a área calva, mas não aumenta o volume de cabelo", explica o cirurgião plástico Ricardo Lemos. A secretária Nancy Riberti, 42 anos, começou a perder cabelo há cinco, por fatores hereditários - a avó e outras parentes tiveram idêntico problema. "Não molhava a cabeça em público nem ficava sob luz forte", conta ela. Um ano depois, apelou para a cirurgia. "Claro que não ficou como antes, mas posso fazer tudo normalmente."

Além das causas hormonais e hereditárias, o cabelo da mulher cai em conseqüência de dietas rigorosas, depressão, stress e tratamentos de quimioterapia. Em qualquer dessas situações, os fios vão embora, mas a raiz costuma permanecer e, com o tempo e o tratamento certo, o cabelo volta a crescer. Foi provavelmente o que aconteceu com a princesa Caroline de Mônaco, que, abatida por problemas emocionais, ficou careca (e, ao contrário da maioria das mortais, lindíssima mesmo assim) em 1996. Cinco meses depois, já abandonara o lenço e exibia o cabelo curtinho, que cresceu até voltar à antiga forma. "Em casos como esse, primeiro é preciso reverter a queda", aconselha Francisco Le Voci, professor assistente de dermatologia da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo. "Se der resultado, ótimo. Mas se a rarefação permanecer e o quadro se estabilizar assim, o transplante pode ser a solução." A mineira Maria Luiza Gonçalves, de 65 anos, agüentou a queda de cabelo por uma longa década. "As pessoas reparavam, comentavam e isso me incomodava muito", lembra. No começo do ano passado, criou coragem e fez o transplante. "Foi tudo muito simples. Um cabelo bonito dá outro aspecto à pessoa."


 

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