Fios
de Esperança- 13/01/1999
Nada
ainda recupera a cabeleira perdida, mas
os implantes melhoram e os remédios se renovam.
Dagmar Serpa
Pouca coisa deprime mais os homens do que acordar de manhã e ver o
travesseiro coberto de preciosos fios de cabelo. Ou passar o pente e a cabeleira
se esvair diante dos olhos. Por mais que a música tente animar e que
as mulheres digam que não se importam, não adianta: a ameaça
de calvície é o mais sério drama estético do repertório
masculino. E confirmado por números implacáveis. "Entre
30 e 40 anos, cerca de 30% dos homens apresentam algum grau de calvície",
diz o cirurgião plástico Ricardo Gomes Lemos. A dor aumenta
diante da constatação de que a perda de cabelo, sem chance de
reposição, aumenta conforme avança a idade. Atinge 50%
dos que já passaram dos 50 anos e 70% dos que estão na faixa
acima dos 65.
Em busca de solução, calvos em desespero apelam para tudo, de
cirurgias a simpatias. Um alento sério e recente veio da Universidade
de Chicago, onde, usando uma proteína chamada beta-catenina, cientistas
conseguiram transformar células da pele de ratos em folículos
capilares, capazes de produzir novos fios. Será o remédio ideal
quando — e se — puder ser aplicado à calvície humana.
Os cirurgiões também ganharam perícia e fogem da artificialíssima
linha perfeitamente reta de fios no alto da testa, que entregava o segredo
do implantado ao primeiro olhar. Supra-sumo do requinte, escolhem fios finos
e suaves para a linha de frente, imitando a penugem natural da área.
Por ter melhorado, os implantes não param de aumentar.
Nos Estados Unidos, são cerca de 60.000 cirurgias por ano. No Brasil,
não chegam a um décimo disso, mas o interesse cresce todo dia.
"Hoje faço uns trinta implantes por mês. Há dois,
três anos, fazia no máximo vinte", calcula o cirurgião
plástico Munir Curi, de São Paulo, pioneiro no país da
técnica do microtransplante fio a fio, a mãe dos resultados
mais naturais.